Achadas ou Perdidas?


16.3.14



Quero falar, sem rodeios, sobre nós, mulheres!
Alguém escreveu: "Antes, as mulheres eram escravas passivas, hoje somos ativas, mas continuamos escravas”.
Escravas de quê? Do corpo perfeito? Do não envelhecimento? Do consumismo? Do trabalho desenfreado, quer pela busca de independência ou pra provar poder?
Quem são nossos modelos? As mulheres frutas? (risos);o que dá pra rir dá pra chorar, uma produção que enche os olhos, mas de euforia superficial e vulgar... “A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele”, Arnaldo Jabor.
Parece que estamos num barco a deriva, desnorteadas; com uma fome quase insaciável de reconhecimento, de ser chic; abandonando o bom senso e a vergonha!
Sempre reparto aqui frutos saborosos que colho em outros pomares! Sobre essa tal chiqueza, trago partes do texto de Gilka Maria, de seu livro “A Quem Interessar Possa”:
“A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão a venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique, é preciso muito mais que um guarda-roupa recheado de grifes importadas, o que faz alguém verdadeiramente ser chique, não é quanto ela tem, mas como se comporta.
Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção por suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes. Mas quem, sem querer, atrai todos os olhares, porque tem brilho próprio... Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua... É dar bom-dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar o aniversário dos amigos... É não se exceder nunca; nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir... É olhar no olho de seu interlocutor... É honrar sua palavra. É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado.
Mas, pra ser chique, chique m-e-s-m-o, você tem, antes de tudo, de se lembrar do quanto que a vida é breve e de que vamos todos pro mesmo lugar...”
Deixando a chiqueza um pouco de lado, o que vem acontecendo conosco? Mesmo em meio a tantas conquistas, parecemos mais perdidas do que achadas!
 - Independentes, mas inseguras.
 - Poderosas e tão carentes.
 - Mais bonitas e mais fáceis.
 - Malhadas, mas excessivamente frágeis.
 - Bem remuneradas e mal resolvidas.
 - Cheias de razão e pouco intuitivas.
A impressão é que estamos velando, enterrando, o que realmente importa: o equilíbrio, a dignidade, o respeito, a sensatez.
Por fim, faço um apelo para que quebremos as correntes do que é fugaz e ilusório, e demos as mãos à interioridade, simplicidade e reflexão!

Que sejamos achadas em meio as virtuosas... autênticas, sábias; admiráveis em seu estilo e discrição.

Paz!

Imagem retirada de: amulherquemanda.sapo.pt

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